Do Dicionário de Citações

Dupla delícia.
O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.
Mário Quintana

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Museu Nacional. Luto Nacional. Vergonha Nacional. Desolação Mundial.

Seria um não acabar mais o querer mostrar que, graças a colecionadores particulares, muito tesouro é salvo. No Brasil então, onde a administração pública, além de ignorante é desmazelada e demagógica, se não fosse o colecionador particular, o bicho, a sujeira e o clima destruiriam tudo que o nosso passado nos legou.
Rubens Borba de Moraes, O Bibliófilo Aprendiz, 1965.


Enviado pelo bibliófilo, amante dos livros, Luís Pio Pedro

domingo, 5 de agosto de 2018

Exposição: A ILUSTRAÇÃO COMO PORTA PARA O MUNDO

Confiram as obras dos mais renomados ilustradores de livros infantis do mundo! Oportunidade única. Visita imperdível! Segue abaixo o press-release da curadoria. 


A ILUSTRAÇÃO COMO PORTA PARA O MUNDO
50 anos da Mostra de Ilustradores da Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha

O Sesc Bom Retiro recebe pela primeira vez no Brasil uma exposição em parceria com a Feira de Bolonha, organizada pelo Instituto Emília e realizada pelo Sesc São Paulo. Esta parceria, em torno da Mostra realizada em 2016 em Bolonha (Itália), por ocasião dos 50 anos da Mostra de Ilustradores da Feira, ficará em cartaz de 09 de julho a 14 de outubro de 2018.

A Ilustração como porta para o mundo é a versão brasileira da mostra realizada em Bolonha em 2016, que traz além dos 50 artistas escolhidos pela curadoria de Paola Vassalli, um complemento com 5 artistas brasileiros escolhidos sob a curadoria de Dolores Prades.
A Mostra internacional está dividida em 5 décadas: 1967 – 1976, 1977 – 1986, 1987 – 1996, 1997 – 2006, 2007 – 2016, cada uma representada por 10 ilustradores que marcaram sua época. Muitos deles são pouco conhecidos pelos leitores brasileiros, mas foram decisivos na história da ilustração:

1967 – 1976:
1.    Francesco Tullio-Altan (Itália) 
2.    Eric Carle (USA)
3.    Patrick Couratin (Franca) 
4.    Helme Heine (Alemanha) 
5.    Emanuelle Luzzatti (Itália) 
6.    David Macauly (USA) 
7.    Iela Mari (Itália) 
8.    Bruno Munari (Itália) 
9.    Ralph Steadman (Inglaterra) 
10.  Stepan Zavrel (República Tcheca) 

1977 – 1986:
1.    Jean-Louis Besson (França)
2.    Quentin Blake (Inglaterra)
3.    Stasys Eidrigevicius (Lituânia) 
4.    Monique Felix (Suíça) 
5.    Robert Ingpen (Austrália) 
6.    Roberto Innocenti (Itália) 
7.    Dusan Kallay (Bratislava)
8.    David Mckee (Inglaterra) 
9.    Tony Ross (Inglaterra) 
10.  Lisbeth Zwerger (Viena) 

1987 – 1996:
1.    Jean Claverie (França) 
2.    Klaus Ensikat (Alemanha) 
3.    Georges Lemoine (França) 
4.    Yan Nascmbene (Franca) 
5.    Kveta Pacovská (Polônia) 
6.    Cris Raschka (USA) 
7.    Alfonso Ruano (Espanha) 
8.    J. Otto Seibold (USA) 
9.    Max Velthuijs (Países Baixos) 
10.  Piero Ventura (Itália) 

1997 – 2006:
1.    Beatrice Alemanha (Itália) 
2.    Arnal Ballester (Espanha) 
3.    Eric Battut (França) 
4.    Chiara Carrer (Itália) 
5.    Svjetlan Junakovic (Zagrev) 
6.    Taro Miura (Japão) 
7.    Fabian Negrin (Argentina) 
8.    Bente Olesen Nyström (Dinamarca) 
9.    Vladimir Radunsky (Rússia) 
10.  Shaun Tan (Austrália) 

2007 – 2016:
1.    Ofra Amit (Israel) 
2.    Bernardo Carvalho (Portugal) 
3.    Maja Celija (Eslovênia) 
4.    Mara Cerri (Itália) 
5.    Philip Giordano (Japão) 
6.    Anne Herbauts (Bruxelas) 
7.    Suzy Lee (Coréia) 
8.    Nooshin Safakoo (Irã) 
9.    Alessandro Sanna (Itália)            
10.  Klaas Verplancke (Suíça) 

A mostra paralela não é apenas um “adendo” à exposição internacional, trata-se de uma pequena, mas significativa seleção do panorama da ilustração brasileira das últimas décadas. É difícil retratar a riqueza da nossa produção através de 5 representantes, mas neste contexto, optamos por enfatizar a diversidade de estilos e de narrativas visuais que marcaram as principais tendências da ilustração brasileira nacional e internacionalmente. Os ilustradores que participam são: 

1.            Daniel Bueno
2.            Fernando Vilela
3.            Mariana Zanetti
4.            Marilda Castanha
5.            Odilon Moraes


Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha (Bologna Children’s Book Fair) é o principal ponto de referência mundial do livro para crianças e jovens. Criada em 1964, a Feira é considerada um dos eventos culturais e centros de crítica de maior prestígio, credibilidade e ressonância mundiais do livro para a infância.

Ponto de referência para todos os agentes que trabalham em torno do livro infantil e juvenil (autores, ilustradores, editores, agentes, mediadores), a Feira é responsável, ano após ano, pelo panorama da produção mundial a partir do qual se estabelecem as tendências e os grandes nomes no mercado internacional.

Dentre as diversas ações promovidas pela Feira, a Mostra dos Ilustradores, criada em 1967, é uma das mais importantes. Para os ilustradores, a Mostra se converteu no espaço privilegiado para veiculação dos seus trabalhos e de seu nome no plano internacional. Os catálogos produzidos a cada Feira a partir de 1971 se tornaram instrumentos de pesquisa para todos os agentes do mercado. Depois de 50 anos, à luz da Mostra que festejou este aniversario, é possível afirmar que é, sem dúvida, a responsável pela formação de gerações de ilustradores e das principais tendências a partir das quais se desenvolveu o livro ilustrado.

Meio século de história não é pouco. A Mostra dos 50 anosrepresenta esta rica trajetória escolhendo um ilustrador a cada ano, de modo a dar um amplo panorama do que foram os 50 anos da Mostra. Para além deste panorama, a importância da Mostra é histórica, pois a partir dela é possível reconstruir e conhecer os principais momentos, as rupturas e inflexões da ilustração nas últimas décadas.

Daí a importância desta exposição, que percorre e indica trajetórias marcantes, que definiram as principais tendências e pontos altos do desenvolvimento do livro infantil e juvenil. Trata-se de uma Mostra histórica que amplia referencias, possibilitando assim uma educação estética do olhar. O contato com este panorama de excelência do mundo da ilustração só enriquece a formação de leitores e o trabalho de todos os envolvidos com a promoção e produção do livro para crianças e jovens.

Praticamente todos os grandes autores/ilustradores que marcaram as principais tendências do livro ilustrado nas últimas décadas passaram e foram selecionados pela Mostra dos Ilustradores.


Espaço de exposição. 2º andar.
Grátis.
Abertura: 09/07, às 11h.
De 11/07 a 14/10
Terça a Sexta das 9h às 21h. Sábado, das 10h às 21h. Domingos e feriados, às 10h às 18h.
Grupos poderão fazer o agendamento através do e-mail agendamento@bomretiro.sescsp.org.brou pelo telefone (11) 3332-3668.

Endereço Sesc Bom Retiro
Al. Nothmann, 185 – Campos Elíseos.
Acessibilidade:Entrada com acesso para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.
Estacionamento próprio. 
Valores: Com apresentação de Credencial Plena - R$ 5,50 até uma hora; R$ 2,00 adicional por hora.
Não credenciados - R$ 12,00 até uma hora; R$ 3,00 adicional por hora.
Horário de funcionamento da unidade: de terça a sexta, das 9h às 21h; sábados das 10h às 21h; domingos e feriados, das 10h às 18h.
Mais informações pelo telefone 3332-3600; pelo portal www.sescsp.org.br/bomretiro.

Atendimento à Imprensa Contato: Geraldo Ramos Jr (11) 3332-3738imprensa@bomretiro.sescsp.org.br

sábado, 23 de junho de 2018

Para Angela Lago (1945-2017)

Angela-Lago, uma homenagem tardia

Angela-Lago, cuja assinatura nos livros tem nome e sobrenome ligados por um hífen, nos deixou em outubro de 2017. Nesses tempos ela morava nos sertões das gerais e faleceu na capital, Belo Horizonte.
Não a conheci pessoalmente. Nosso diálogo se deu através dos livros. Às vezes eu penso que Angela-Lago nunca existiu como uma figura de carne e osso como nós. Seus trabalhos me fazem pensar que ela transcendeu a matéria desde sempre.
Nesses dias, folheando algumas de suas muitas e incríveis publicações, eu me dei conta do quanto o seu trabalho explora a materialidade do livro. E do quanto essa exploração faz de cada um de seus livros um universo expressivo, onde capa, miolo, papel, tipografia, ilustração, encarte, cinta, encadernação, formato, cores, fitilhos, enfim, onde todos os elementos que compõem a anatomia do livro aparecem combinados. Mais do isso, esses elementos comunicam.
Eu tenho insistido com meus alunos de graduação e pós-graduação nesse aspecto pouco explorado na academia que é o do “livro como forma expressiva”. A fórmula vem emprestada de um bibliógrafo neozelandês, D. F. McKenzie, que atuou toda a sua vida na Inglaterra, onde se graduou e apresentou importantes contribuições à ciência bibliográfica. Talvez a mais importante tenha nascido justamente do seu incômodo com relação ao formalismo acadêmico com que a disciplina bibliográfica era tratada. O que certamente a distanciava de outros campos de estudos das Humanidades.
Mas quando folheamos e lemos os livros publicados por Angela-Lago, todos esses elementos textuais, que vão da matéria à escrita textual propriamente dita, têm uma relação orgânica tão forte, que podemos até mesmo dizer que os livros de Angela-Lago são lidos com os olhos, com os lábios, com o nariz e com as mãos.
É o que acontece com O Livro de Horas, que apresenta a tradução livre de 24 poemas de Emily Dickinson. Dir-se-ia, um belo códice impresso e iluminado. Os motivos das iluminuras certamente foram inspirados nos códices manuscritos dos séculos XIV e XV, quando a arte de ilustrar ofereceu aos livros ramos de folhagens delicados, ornados em ouro, lápis-lazúli e rubi, entre tantas outras preciosidades. Mas também como fotografias de paisagens que dialogam com os textos. E as horas são demarcadas por estados de espírito inspirados na escrita da poeta norte-americana Emily Dickinson.
Para terminar essa homenagem tardia, registro uma passagem, “Para a Hora da Paixão”:
Diminutos rios – dóceis a algum mar azul
Meu Cáspio – tu.