Do Dicionário de Citações

Dupla delícia.
O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.
Mário Quintana

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Sobre Livros - Um Ateliê Muito Especial

Entre Livros e Amigos no Ateliê de Luiz Fernando Machado

Foto: Patrícia Póvoa - Ateliê Luiz Fernando Machado
Finalzinho de uma manhã ensolarada. Manhã de outono. Novo encontro com Luiz Fernando Machado, este mago que lava livros desgastados para o reconstituir, transforma papelões e bibelôs e mantém a aura nobre do ofício de encadernador. Tudo no seu ateliê tem harmonia a proporção. Se fosse grande demais, tornar-se-ia uma manufatura. Se pequeno, todos os papeis ali dispostos, arte pura!, perderiam seu charme.
No ateliê do Luiz Fernando Machado há alegria, até na concentrada linha de produção.
Vamos ao trabalho. O objetivo da visita é apresentar aos alunos de Editoração, aos que acabam de ingressar, os fundamentos da encadernação de um livro. Todos já conhecem a anatomia deste objeto nobre, cuja nomenclatura se confunde com a do próprio corpo humano. O ofício do encadernador, por sua vez, tem lá seu jargão. A parte teórica fora discutida em sala de aula. Agora, era a hora de vê-la em prática. A preparação do volume, se necessário, o arredondamento da lombada, a colagem da pasta, a preparação dos nervos, a fixação do couro - os processos finais são sempre tensos! - a fixação da coifa, do debrum, enfim, a aderência do couro nos menores meandros daquele corpo inerte, porém, muito melindroso. Tudo é detalhe. Tudo é engenho e arte. 
Foto: Patrícia Póvoa - Ateliê Luiz Fernando Machado

A gravação na lombada constitui a etapa final. Não menos delicada, ela exige atenção no momento de compor as palavras e firmeza no punho. Não há a possibilidade do erro. Tudo é medido, pensado e executado com precisão.
Ufa! Atividade bem sucedida.
Mais um tour pelo primeiro andar e descobrimos o processo de douração. Certo, os cortes dos livros não são mais ornamentos como outrora, cujo processo consistia, no caso da douração, em uma mistura de pó de ouro com clara de ovo. Há muito estamos na era das fitas plásticas. Uma vez aquecidas, elas tornam nobre o objeto (livro ou caderno). Pura magia!
Etapa seguinte. Mais um andar e agora o ambiente é ainda mais compacto. Mas ali o artista reencontra seu ofício e seu prazer. A marmorização de papeis, diz Luiz Fernando Machado, exige técnica e empenho pessoal. Corpo e alma se entregam nesta atividade extremamente fluida e precisa - como isto? - a qual consiste em escrever, tecer, desenhar sobre uma superfície líquida. O resultado? Um caleidoscópio de possibilidades sobre o papel. E uma gama ainda maior para seu emprego!
De volta ao rés-de-chão, ma non troppo. Difícil voltar às coisas banais do dia-a-dia no espaço dedicado à loja. Ali tudo parece milimetricamente arquitetado para seduzir o flaneur. Pura magia! Aliás, a flanerie no ateliê de Luiz Fernando Machado é atividade altamente recomendável - faça sol ou faça chuva! - para os amantes dos livros e dos papeis. E, sobretudo, para aqueles que ainda buscam alguma forma de prazer.
Foto: Patrícia Póvoa - Ateliê Luiz Fernando Machado

Ah, voltando ao trabalho. A tarefa foi bem executada. Os alunos já estão aptos a discorrer de forma muito tranquila sobre a anatomia do livro e os processos de enobrecimento (deste já nobre objeto) através da encadernação artística.



Um comentário:

  1. que legal ! bela oportunidade de saborear a arte de fazer livros!

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