Do Dicionário de Citações

Dupla delícia.
O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.
Mário Quintana

segunda-feira, 8 de junho de 2015

As Bibliotecas e a História dos Homens

“Se tem uma biblioteca com jardim, você tem tudo”

Na grande sala Filosófica, na biblioteca de Strahov (Praga), pintada sob a forma de um brasão,
vida e morte se inscrevem nesta bela alegoria (Fotografia da Autora, 2013)
A passagem de Cicero (106 a.C. – 43 a.C.) se situa em um contexto particularmente importante para a história da cultura romana. O próprio poeta organizara pelo menos duas coleções particulares. A primeira foi reduzida a brasa e a outra, ao que parece, sobreviveu ao seu patrono. É que as crises políticas e as guerras sucumbiam não apenas a energia dos homens, mas também seus livros.
Ocorre que Roma viveu nesse período um surto de bibliotecas. O modelo era Alexandria. Conhecemos a afeição especial que Júlio César (100 a.C. – 44 a.C,) devotara a esta cidade brilhante, cravada nas margens férteis do delta do Nilo, com a face voltada para o Mediterrâneo. Ele não ignorava a importância que a dinastia dos Ptolomeus devotara a este projeto grandioso de conservar os melhores livros do mundo em um só templo. Era conhecido o cuidado dos reis para com a coleção, as acomodações do edifício, seus bibliotecários e os gastos necessários para manter e fomentar as estantes (ou nichos) onde eram depositados os volumes. Da mesma forma que não se ignorava a generosidade com que os reis remuneravam seus empregados e recebiam os sábios com um lauto banquete.
Júlio César cobiçava Alexandria, o Museu, os livros e sua musa, Cleópatra (69-30 a.C.). Mas não descuidava de Roma e de sua vida cultural. Pretendera implantar na capital latina uma biblioteca pública, seguindo o modelo alexandrino. Nomeara Cícero como mentor intelectual do projeto. A ideia vingaria mais tarde, noutra conjuntura. Pouco importa. Na verdade, salta aos olhos a preocupação de um homem belicoso, figura política de grande proa e de pretensões imperiais, com uma instituição destinada a prover os cidadãos de boa leitura. Pois era disso que se tratava. É certo que as bibliotecas gozavam nesse momento de uma aura elitizada, senão, hedonista. Jardins e bibliotecas se compunham dentro das mansardas de romanos endinheirados. Dirá Sêneca (4 a.C. – 6 d.C), não sem um grau de despeito, que bibliotecas e termas eram ornamentos requisitados entre os novos-ricos, muitos deles analfabetos. Havia, contudo, espaço para recintos mais austeros, nos quais a leitura era um fim, embora ela não dispensasse um jardim e boas companhias. A moda pegou tanto que, às vésperas de sua queda, em 476 d.C., Roma contava com vinte e nove bibliotecas públicas.
O número não surpreende mais do que a certeza da vitória dos livros, estes mesmos que periclitaram noutros tempos. Durante a Alta Idade Média, por exemplo, quando as invasões assolaram as cidades, seus homens e seus livros, relegando bibliotecas opulentas a coleções esmirradas, encerradas em mosteiros distantes. A ação desses estadistas da Antiguidade espanta, ainda mais, diante da constatação de que cidades brasileiras ainda são desprovidas de bibliotecas. Pior, muitas fecham. Morrem de inanição. Ao dissertar sobre a natureza do papiro, Plinio, o ancião (23 d. C. – 69 d. C.) lembra que o “papel é essencial para o desenvolvimento da civilização, ao menos para fixar suas lembranças”. De forma análoga, pode-se dizer que quando se fecham as portas de uma biblioteca, portas da civilização ficam cerradas. O que resta? O vazio da lembrança.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Pausa Literária

Instituto de Estudos Brasileiros
&
Departamento de Teoria literária e Literatura comparada
promovem
                                                                    
VANGUARDAS ARTÍSTICAS E NACIONALISMO COSMOPOLITA


Prof. Fernando Cabral Martins (Universidade Nova de Lisboa)

1. 
A definição de Vanguarda versus Modernismo: uma arte de montagem e mistura versus uma arte de pureza e autonomia. A performatividade da Vanguarda  versus formalismo modernista.
Continuidade e inter-relação entre Vanguarda e Modernismo: a montagem como criação de mundos necessita da consciência material das formas. 
Definições fundadoras e argumentações teóricas de referência.
Os casos de Orpheu e de Klaxon

2. 
A importância da experiência parisiense de Mário de Sá-Carneiro. As aventuras europeias de Almada Negreiros (Paris e Madrid). A experiência brasileira em António Ferro e o Modernismo como diluição popular da Vanguarda. 
O Modernismo brasileiro e a sua componente nacionalista: Mário de Andrade e Oswald de Andrade.
O nacionalismo cosmopolita como síntese poético-crítica em Fernando Pessoa.


Fernando Cabral Martins é professor de Literatura Portuguesa na Universidade Nova de Lisboa. Autor de inúmeros artigos e livros sobre a literatura e a arte portuguesas: Cesário Verde ou a Transformação do Mundo (1988), O Modernismo em Mário de Sá-Carneiro (1994), O Trabalho das Imagens (2000), Julio. O Realismo Mágico (2005). Desde 1996, organizou pela editora Assirio e Alvim várias edições de Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros e outros. Coordenou o Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português (2008) e também publicou livros de ficção. 


quinta-feira, 14 de maio de 2015

JORNADA

Da Economia do Texto às Modalidades Editoriais


Preâmbulo


A edição de livros constitui uma atividade coletiva, a qual incorpora diferentes competências e saberes. Desde o recebimento do original ao volume que acaba de sair da gráfica, foram acionados profissionais de revisão, preparação, composição, artes gráficas… ao que se somam os responsáveis pela promoção e distribuição do livro, atividades que exigem um conhecimento prévio do conteúdo que se pretende colocar em evidência. Isso faz do livro um produto complexo, pois incorpora no seu processo de produção e venda competências intelectuais, artísticas, industriais e comerciais.


A tomada de consciência da complexidade do processo editorial e gráfico e da importância de se investir no conhecimento dessas etapas tem mobilizado profissionais e amadores na organização de cursos e de palestras destinados a essa temática. As editoras, por seu turno, têm investido no aprimoramento de seus quadros e na formação de novos profissionais, através da promoção de oficinas e até mesmo pela organização de cursos de formação continuada. Trata-se de um movimento da maior importância, pois responde favoravelmente ao desenvolvimento do setor editorial no Brasil e à pouca oferta de cursos de formação superior na área de editoração – lembremos que a Universidade de São Paulo é a única instituição pública a prover este setor no estado. À vista desse quadro, justifica-se a iniciativa da Editora da Universidade de São Paulo em parceria com o Núcleo de Estudos do Livro e da Edição (Nace-USP) no sentido de estender para a sociedade fóruns que abordem questões relevantes relacionadas à economia do livro, seja de natureza filósofica, histórica, literária, econômica ou técnica.
Nossas iniciativas têm obtido grande êxito na comunidade universitária e entre profissionais e amantes do livro de modo geral, como atesta a última jornada “Publisher? Editor”, que ocorreu no último 3 de março.
A Jornada “Da Economia do Texto às Modalidades Editoriais” pretende reunir os professores do curso de Editoração e convidados ativos no meio intelectual e profissional, cujas reflexões se voltam para um aspecto da maior importância e ainda pouco investigado no país, o qual poderia se resumir às seguintes questões: as modalidades editoriais interferem no significado do texto? E, no sentido inverso, o texto interfere na forma editorial?
O Seminário foi programado a partir de seções temáticas, as quais devem funcionar como aulas públicas ministradas por especialistas nos temas abaixo elencados. O objetivo do evento é o de incitar o público para novas questões relativas ao fazer editorial, cujos desdobramentos podem se dar em nível de pós-graduação, ou em outros cursos de extensão cultural de curta ou de média duração.

Segunda-Feira, 18 de Maio de 2015

LIVRARIA JOÃO ALEXANDRE BARBOSA – EDUSP
LOCAL : COMPLEXO BRASILIANA


9h00
Abertura “O Núcleo de Estudos do Livro e da Edição comemora suas boas de papel com o lançamento de um site e presta homenagens aos Amigos do Livro"

Conferência Magna
Jerusa Pires Ferreira (ECA-USP/Pós-Graduação PUC-SP)

10h30

1. Das Modalidades do Texto Político no Brasil Oitocentista: o caso de François Guizot e sua fortuna editorial
Marisa Midori Deaecto (ECA-USP)

2. Por uma retórica machadiana: Quincas Borba (1891) entre o jornal e o livro
Jean Pierre Chauvin (ECA-USP)

3. O Coruja: do Folhetim ao Livro
Maria Vianna (Editora e Mestre pelo IEB-USP)

14h30

4. Ambiência Discursiva e Produção do Sentido: A Trajetória de Publicação dos “Quadros e Costumes do Nordeste”, de Graciliano Ramos
Thiago Mio Salla (ECA-USP)

5. Graciliano Ramos no jornal e no livro: consciência e estilo
Ieda Lebensztayn

6. Conexões entre Sistema Literário e História Editorial
Fernando Paixão (IEB-USP)

16h30

7. Ecdótica: uma introdução
José De Paula Ramos Jr. (ECA-USP)

8. Do Texto ao Livro, Múltiplos Processos
Plinio Martins Filho (Editor, Presidente da Edusp, ECA-USP)

9. Texto, Imagem e Design. Não Necessariamente Nesta Ordem
Gustavo Piqueira (Designer Casa Rex)

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Da Argila às Nuvens, ou a Arte de Catalogar Livros

Para uma breve visita à exposição, entre no link https://vimeo.com/12383005
(Parte 1)
Buscar um livro na biblioteca nunca constituiu uma atividade simples. 
É preciso ter o nome do autor, senão, uma fração significativa do título e, claro, deve-se sempre contar com o auxílio de um excelente banco de dados. 
As informações são inseridas numa ferramenta de busca que as processa e, ao final de alguns segundos – ou minutos ! – uma lista aparece. Com sorte, autor e título estão ali, bem dispostos, à nossa frente. Noutras vezes, é preciso ter um pouco de paciência, focar bem o objetivo, rolar a barra, ver desfilar títulos e autores semelhantes, os quais se compõem com listas menos óbvias, até que o objetivo seja atingido. 
Porém, a tarefa não termina aí. 
Somos primeiramente apresentados a uma série alfanumérica, até o momento em que... puff, é só seguir as indicações das salas de consulta e o livro será logo alcançado. 
Às vezes o achado demora um pouco mais do que o esperado, afinal, quem poderá garantir, na ordem dispersa dos números, qual será o antecessor de um extenso c981.56748Ma? 
Na intrincada composição das estantes, há sempre um cruzamento, um corredor que quebra a ordem dos números, um ponto de charneira que nos torna mais uma vez oscilantes: devemos seguir em frente, retornar ao começo da fileira, ou partir para a prateleira de baixo? À vezes, o destino nos prega uma peça e na direção menos provável se esconde o exemplar desejado: nem retroceder, nem avançar... É necessário virar do outro lado da estante. Como não se render à ordem dos números?
A Classificação Decimal de Dewey (CDC), sistema inventado pelo norte-americano Melvil Dewey, em 1876, sofreu muitas resistências desde que surgiu. Afinal, como reduzir uma série multissecular e tão complexa de dados inscritos numa página de rosto, ou em outras páginas dos livros, a uma única equação? 
No início, a pergunta soava ainda mais estranha, pois não se tratava apenas de equacionar nomes de autores e títulos, mas de sintetizar todo um sistema de conhecimento outrora organizado em extensos fichários temáticos em séries numéricas racionalmente arranjadas nas fileiras das estantes. Nas bibliotecas de livre acesso o leitor ainda guardava a esperança de reter diante dos olhos uma fileira de livros mais ou menos coerente com o assunto buscado. Porém, nas coleções de acesso indireto, a ordem dos números fatalmente prevalecia sobre a ordem da leitura. E um livro ignorado correspondia fatalmente a uma referência perdida.
A relutância na adoção esbarrava ainda com uma longa tradição de listas, catálogos bibliográficos, sistemas de classificação e fichamento que viajaram no tempo e no espaço, acompanhando as diferentes idades do livro e seus desenvolvimentos. Entre classificar para preservar e classificar para dar a conhecer, quantos esforços, métodos e sistemas não teriam sido inventados?
Esta é a questão que percorre o belo catálogo De L’Argile au Nuage. Une archéologie des catalogues (IIe millénaire av. J.C. – XXI siècle), obra e exposição dirigidas por Frédéric Barbier, Thierry Dubois e Yann Sordet. Publicaremos nos próximos dias alguns exemplares de fichas e catálogos analisados pelos autores. A conferir.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Ouro de Tolo

Edições falsas, catálogos imaginários e a loucura dos livros tomam de assalto o mundo dos leilões de raridades... Vejam alguns casos.



No pequeno grande mundo da bibliofilia os leilões têm um papel fundamental na circulação e conservação de obras raras. Não é fácil adentrar nesse meio, pois como ocorre com objetos de arte, joias, carros antigos, artigos, enfim, que não se encontram em série no mercado aberto, a aquisição de livros exige astúcia, conhecimento e muita sensibilidade. Talvez o último atributo seja o mais raro e o mais estimado entre os colecionadores de livro.
Em O Bibliófilo Aprendiz, este clássico de Rubens Borba de Moraes, a arte de comprar nas livrarias especializadas é revelada em suas minúcias por quem entendia bem do assunto. Para adquirir raridades é preciso estar integrado aos grandes centros, ou seja, Paris, Londres, Genebra e Nova Iorque. Ter amigos livreiros conta muito, senão, é preciso manter um bom agente à espreita de raridades. O circuito exige um desembolso considerável, mas o dinheiro não é tudo! É nesse ponto que a narrativa de nosso mestre se torna mais curiosa. Afinal, mostra-nos o autor pela sucessão de exemplos vários, colhidos muito provavelmente de suas próprias experiências, que mais vale o faro do que uma boa soma no bolso. O bom mesmo, é quando um e outro andam juntos, mas isto nem sempre é possível. Como ele diz, uma biblioteca abarrotada de raridades, mas sem espírito, sem o engenho e a arte que lhe conferem uma unidade, senão, uma identidade, está fadada ao ostracismo. Torna-se, antes, objeto de decoração ao sabor dos novos ricos.
A literatura está particularmente recheada de casos extraordinários que envolvem o circuito de raridades. Bibliomania, de Gustave Flaubert, baseia-se na história de um livreiro catalão, cujo nome foi estampado na Gazeta dos Tribunais, em 1836, quando condenado à morte por seus crimes. A notícia correu o mundo e inspirou o jovem escritor, que à época contava com seus quinze anos, na escrita de um conto no qual a cobiça por raridades conduz o colecionador a práticas criminosas, até o assassinato. Em 1860 sai também na França o opúsculo de Charles Asselineau, sob o título O Inferno do Bibliófilo. A narrativa faz jus ao gênero de suspense, pois nos conduz a uma série de desenganos cometidos por um colecionador enlouquecido que sai a comprar toda sorte de livros nos leilões de Paris. Ridicularizado, humilhado, enganado e falido, nosso herói termina por colecionar uma série de engodos. Ouro de tolo... e nada mais.  Na década de 1840, surge a notícia de que a biblioteca de um certo conde de Fortsas seria leiloada. O catálogo da dita coleção foi distribuído com parcimônia, não mais do que 120 exemplos, talvez o suficiente para aguçar a curiosidade dos mais afoitos. E incautos. Pois tudo não passava de obra de ficção.
Um elemento em comum nas três narrativas consiste no limite tênue entre o real e a imaginação. O livreiro catalão – diga-se de passagem, ele cometera um crime por uma obra que não era única, como ele acreditava – não passou de uma blague publicada na gazeta francesa. Tão falsa quanto a narrativa de Asselineau. Da mesma maneira que o conde de Fortsas e sua richissimi biblioteca nunca existiram. Será?
E como nem tudo o que reluz é ouro, mais vale a cautela, diria o mestre Rubens Borba de Moraes. 

sexta-feira, 27 de março de 2015

REVISTAS DO LIVRO - MAIS UM LANÇAMENTO

Histoire et Civilisation du Livre - Revue Internationale chega ao volume X


Revistas constituem um contributo da maior importância para o desenvolvimento das ciências, em todos os campos de ação e pensamento. Diferente dos livros e até mesmo das compilações - ou antologias de textos - elas refletem um movimento muito mais dinâmico das investigações de um grupo e dos pesquisadores que estão em sua órbita. Revistas funcionam como um luzeiro do pensamento. 
Histoire et Civilisation du Livre, publicação dirigida por Frédéric Barbier, não foge a regra.  
Trata-se de uma publicação francesa, que reúne as grandes escolas e instituições do livro do país: École Pratique des Hautes Études (Paris IV), École de Chartes, Collège de France, Enssib, BNF, Bibliothèque Mazarine, UVSQ, para citar as mais influentes. Não obstante, o conselho internacional e o conjunto de artigos apresentados vão muito além dos limites do hexágono. De leste ao extremo oeste, de norte a sul, a Europa figura em todas as seções da revista. E vai além-mar, nas Américas.
O Dossiê "Onde está a História das Bibliotecas?" reabilita uma problemática da maior atualidade: na era da revolução midiática, na qual os livros se fazem publicar por todas as partes, em versões digitais cada vez mais cuidadosas e fidedignas, qual o destino das bibliotecas? Nesse sentido, a história das bibliotecas procura mais do que a descrição de um passado distante, ou a síntese de tantas histórias de coleções as mais variadas: as religiosas, as reais e principescas, as públicas e as populares. É preciso refletir sobre a função das bibliotecas, o sentido da catalogação de suas coleções e suas mutações no tempo e no espaço. 
Sabemos hoje que bibliotecas não são e não foram apenas bibliotecas. Elas funcionam como seminários e colégios importantes, por exemplo, no contexto da Reforma; foram centros de subversão e de sociabilidade, para citar uma função importante, potencializada no século das Luzes; tornaram-se arma política nos quadros de formação dos estados nacionais independentes na América, a exemplo dos projetos defendidos por Benjamin Franklin para os Estados Unidos. No limite, as biblitoecas têm muito a nos ensinar por meio de sua arquitetura, de seu mobiliário, pelo conhecimento a ser compartilhado entre conservadores e leitores... jamais o espaço delimitado por uma tela de computador terá tanto a dizer do que uma sala de leitura repleta de livros e de História.

Nesse sentido, não é possível restringir o papel das bibliotecas ao de guardiãs de volumes, os quais, por sua vez, se tornarão públicos pelo meio digital. Atualmente, suas funções se multiplicam e as grande bibliotecas internacionais se esforçam em busca da concretização de um ideal aparentemente contraditório: publicar versões digitais de seu acervo de raridades e, ao mesmo tempo, atrair o público para suas dependências.

Para maiores detalhes sobre esta publicação elegante e imperdível, confira o sumário:

Histoire et civilisation du livre. Revue internationale,

tome X,Genève, Librairie Droz, 2014,488 p., ill. 
Chambéry, Torino o Ginevra? Le (s)fortune editoriali di un criminalista del primo Seicento, par Rodolfo Savelli, p. 269
Un moment dans l’intimité de deux grandes dynasties de libraires: les Didot et les Jombert, entre Directoire et Premier Empire, à travers quinze lettres inédites, par Greta Kaucher, p. 411  
François Jacob, Nicolas Morel, Nota Bene: de la musique avec Rousseau (Greta Kaucher), p. 461
Alain Bosson, L’Atelier typographique de Fribourg (Suisse). Bibliographie raisonnée des imprimés 1585-1816 (István Monok), p. 474
Hans-Jürgen Lüsebrink, «Le livre aimé du peuple», les almanachs québécois de 1777 à nos jours (Jean-Marie Mouthon), p. 481
Para novas informações e aquisições da revista e de outras publicações correlatas, acesse o site http://www.droz.org

ISSN 1661-4577 

Sommaire  

Où en est l’histoire des bibliothèques? Dossier publié sous la direction de Frédéric Barbier Introduction, par Frédéric Barbier, p. 7
Livres et bibliothèques à Strasbourg et dans sa région du milieu du XVe siècle à la veille de la Réforme, par Georges Bischoff, p. 13
Una biblioteca nobiliare ai piedi delle Alpi. La raccolta libraria dei conti di Castel Thun tra XV e XIX secolo: un primo sguardo, par Giancarlo Petrella, p. 27
«Como un hospital bien ordenado». Alle origini del modello bibliotecario della Compagnia di Gesù, par Natale Vacalebre, p. 51
Le livre dans l’économie du don et la constitution des bibliothèques ecclésiastiques à l’époque moderne, par Fabienne Henryot, p. 69
Le premier acte de «donation au public» de la bibliothèque de Mazarin (1650), par Yann Sordet, p. 93
De la bibliothèque savante à la bibliothèque publique: collections et lecteurs à Venise au XVIIIe siècle, par Antonella Barzazi, p. 113
Schoepflin et les origines de la Bibliothèque de la Ville de Strasbourg, par Magali Jacquinez, p. 131
La création de la Bibliothèque royale publique de la Cour de Portugal: une responsabilité partagée, 1796-1803, par Maria Luísa Cabral, p. 143
La ville et les livres, ou comment former une bibliothèque? Notes historiques sur la formation et sur le catalogue de la première bibliothèque publique de São Paulo (1825-1887), par Marisa Midori Deaecto, p. 163
Diffusion du livre en français en Hongrie: bilan et perspectives des recherches sur les bibliothèques privées de l’aristocratie (1770-1810), par Olga Granasztói, p. 181
«Le rameau d’or et de science». La bibliothèque humaniste de l’architecte Joseph-Jean-Pascal Gay (1775-1832), par Philippe Dufieux, p. 207
Des musées dans les bibliothèques: le cas des bibliothèques d’État en Italie, XIXe-XXe siècle, par Andrea De Pasquale, p. 229
Ce que le numérique fait à l’histoire des bibliothèques: réflexions exploratoires, par Anne-Marie Bertrand, p. 255 

Études d’histoire du livre, p. 267
Un ouvrage technique français de la Bibliothèque bleue, le Bâtiment des recettes, par Geneviève Deblock, p. 289
Jean Ribou, le libraire éditeur de Molière, par Alain Riffaud, p. 315
Charles Chardin (1749-1826), libraire à Paris, par Livia Castelli, p. 365La diffusion des connaissances utiles au XVIIIe siècle: Élie Bertrand, la Société économique d’Yverdon, sa bibliothèque et son cabinet de curiosités, par Thierry Dubois, p. 375 

Livres, travaux et rencontres, p. 409

Comptes rendus, p. 459
Miriam Nicoli, Les Savants et les livres. Autour d’Albrecht von Haller (1708-1777) et Samuel-Auguste Tissot (1728-1797) (Greta Kaucher), p. 464
Klára Komorová, Knižnica Zachariáša Mošovského (István Monok), p. 467
Un Succès de librairie européen, l’Imitatio Christi, 1470-1850. Exposition organisée par la Bibliothèque Mazarine en collaboration avec la Bibliothèque Saint-Geneviève et la Bibliothèque nationale de France (…) 4 avril-6 juillet 2012. Commissariat et catalogue de Martine Delaveau, Yann Sordet (István Monok), p. 470.
Un’istituzione dei Lumi: la biblioteca. Teoria, gestione e pratiche biblioteconomiche nell’Europa dei Lumi (Claire Madl), p. 478
Yannick Portebois, Dorothy Speirs, Entre le livre et le journal (Anthony Glinoer), p. 483  

Tables des illustrations, p. 487