Do Dicionário de Citações

Dupla delícia.
O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.
Mário Quintana

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Aula Inaugural no Cefet-MG: Do Manuscrito ao Livro, do Autor ao Leitor (27/10/2021)

 


Paris, Londres, Bruxelas, Liège, Haia, Maestricht, Nova York, Cidade
do México, Rio de Janeiro... 48 edições impressas logo após o
lançamento simultâneo em Londres e Paris, em 10 de janeiro de 1849, sem contar as
reimpressões e reedições. Como explicar um tal sucesso? 
Para celebrar a abertura de mais um semestre letivo, Marisa Midori Deaecto nos convida a uma viagem pela Europa, nos tempos da Primavera dos Povos. 
Ali, ela busca desvelar os bastidores da construção de um livro destinado a corroer as bases das lutas democráticas e impor a vitória do pensamento conservador sobre as paixões revolucionárias. Ao recompor a fortuna editorial de De la Démocratie en France, de François Guizot, a autora nos permite conhecer em profundidade não apenas as questões editoriais que se colocam nesses tempos de batalhas panfletárias, mas também a figura de um grande historiador, jurista e político, que marcou a primeira geração de estudiosos da Revolução Francesa, propôs as linhas mestras do direito constitucional e se tornou o todo poderoso ministro de Luís Filipe, o rei burguês destronado pelo povo na tonitruante Paris de Fevereiro de 1848. 

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Livros, Leituras, Bibliotecas: (re)relendo a arquitetura moderna brasileira (23/09/2021)



“Este é um livro sobre a paixão pelos livros”, declara Ricardo Rocha, logo no capítulo introdutório de seu Livros, Leituras e Bibliotecas – História da Arquitetura e da Construção Luso-Brasileira, publicado recentemente pela Edusp. 

Uma paixão que se expressa não apenas no apuro formal com que o autor conduz suas análises, mas também na descrição meticulosa dos livros e das marcas de leitura neles inscritos. 

Para aqueles que teimam em ver o livro como um mero suporte de leitura, de modo que as plataformas não lhe ficam a dever em nenhum aspecto – aliás, os velhos códices não raro excedem no peso e se apresentam em formatos pouco cômodos para a leitura  convém registrar uma advertência do autor, ao evocar uma edição de Fundamentos da Arquitetura Japonesa, de Bruno Taut: “nenhum [exemplar digital] ... conseguirá reproduzir as características do papel torinoko da capa, do tipo fusuma – com um padrão típico do norte do Japão – [...] ou do papel shigaramido texto – do Japão central” (p. 20). Embora esta não seja a questão principal do livro, impossível não se deixar seduzir por estas palavras iniciais, as quais nos permitem adentrar, pelo menos no que toca à defesa do livro impresso e à importância do objeto de análise do autor, a saber, as bibliotecas de arquitetos e as marcas de leituras inscritas em seus livros, na comunidade de sentidos de que trata a pesquisa. 

A trama é bastante complexa e nos faz lembrar que o estudo de Ricardo Rocha guarda um diálogo muito estreito com outras pesquisas brasileiras, voltadas para a reconstrução de bibliotecas desaparecidas, por meio do escrutínio de inventários post mortem. Se as marcas nos livros nos permitem recompor diferentes camadas de leituras, a ideia das bibliotecas como um universo de referências cruzadas, ou “palácios de destinos cruzados”, para citar o título do livro de Tania Bessone, tem muito a dizer sobre as comunidades de sentidos tecidas por nosso autor. Interessa observar que as marcas de proveniência de um exemplar permitem ao estudioso adentrar em bibliotecas dispersas em tempos e espaços distintos. 

É o que vemos no segundo capítulo, no momento em que o estudo de um certo exemplar de Guia do Engenheiro nas Construções das Pontes de Pedra (1844), aliás, adquirido pelo autor, em leilão, da biblioteca do engenheiro Zake Tacla, falecido em 2009, permite-lhe recuperar marcas de leituras que remontam há 150 anos desde o primeiro proprietário identificado no volume. A biblioteca de Takla, autor de O Livro da Arte de Construir, será analisada com mais vagar no capítulo 5, dedicado às bibliotecas dos engenheiros-arquitetos, de cujas coleções foram selecionados os livros e desvendadas as suas marcas de leituras. 

Sem dúvida, um estudo minucioso, bem escrito, que permite aos amantes do livro e da arquitetura, mas também aos curiosos de toda sorte, uma imersão singular nessa comunidade seletíssima de escritores, colecionadores e leitores arquitetos. 

Sobre o autor:

Ricardo Rocha é Arquiteto (1996), Mestre (2001) e Doutor em Arquitetura (2006), com Pós-doutorado na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), Portugal (2008). É professor na UFSM desde 1998, no mestrado em Arquitetura e no mestrado em Patrimônio (Sta Maria) e na graduação (Cachoeira do Sul), sendo líder do grupo de pesquisa CrUPP Crescimento Urbano, Paisagem e Patrimônio (CNPq). É autor do livro História da Construção e da Arquitetura Luso-Brasileira: Leituras, livros e bibliotecas (EDUSP 2020).

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Cinemateca – Sem Trabalhadores Não se Preservam Acervos


https://apd.org.br/manifesto-pela-cinemateca-brasileira/

Em apoio à Cinemateca Brasileira, aos seus trabalhadores, mas também à memória e à história do cinema e da cultura brasileira, reproduzimos o documento lido no ato de 7 de Agosto de 2021. 
Que estes tempos sombrios passem rápido; rápido o suficiente para salvar o que resta da cultura e da educação de nosso país. 

Por TRABALHADORES DA CINEMATECA BRASILEIRA

Carta lida no Ato do dia 07 de Agosto de 2021

Esse é o mote dos trabalhadores da Cinemateca desde junho de 2020. Muitos foram os avisos feitos por nós sobre a necessidade da manutenção do corpo de funcionários da instituição, alguns com anos de casa. Esse mote se espalhou na defesa pela Cinemateca, passando a envolver os trabalhadores em um todo único, indissociável. A nossa pauta “pelos salários, pelos empregos e pelo acervo”, infelizmente, mostrou sua verdade de maneira cinematográfica com o incêndio do dia 29 de julho nas instalações da Vila Leopoldina. Esse incêndio foi criminoso e o governo federal é inteiramente responsável por ele, pelo abandono e pelo descaso com o patrimônio em um projeto de destruição da memória brasileira.
No dia 30 de julho de 2021, dia seguinte ao incêndio e quase um ano de promessas, o governo federal finalmente publicou um chamamento público para uma nova organização social (OS) gestora da Cinemateca Brasileira.
Não podemos nos deixar enganar por um edital que impõe uma lógica comercial à Cinemateca. Isso já foi tentado sem sucesso pela antiga gestora, a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto – Acerp. O que vimos com isso foi um ensaio de uma lógica privatista à instituição, lógica que o Governo Federal pretende ampliar.Também vimos a terceirização da equipe técnica, prática recorrente nos serviços públicos, que precariza o trabalho e, assim, o cumprimento de sua função social pública. Salários rebaixados, instabilidade, não pagamento de vencimentos e orçamentos sempre aquém das necessidades são exemplos dessa lógica comercial. O edital de 2021 estabelece um repasse de 10 milhões, quando em 2019 o orçamento era em torno de 13 milhões.
Os editais de gestão por OS têm prazos determinados. Com a Acerp foram três anos – interrompidos unilateralmente – e o novo edital propõe cinco anos. Isso é incompatível com a preservação do patrimônio. A preservação é um trabalho de longo prazo, que requer constância nos procedimentos e nos trabalhos, como o monitoramento diário dos acervos e a revisão dos materiais. Por sua vez, isso exige a estabilidade do corpo funcional. A preservação só será minimamente efetiva  em uma estrutura estatal, amparada por uma política de Estado não de governos.
Entendendo as limitações da conjuntura atual, a elaboração de qualquer chamamento público deve levar em conta os trabalhadores e as necessidades da instituição antes de se propor um orçamento.
Se entendemos que sem trabalhadores não se preservam acervos, devemos evitar uma abertura apenas formal. E, para isso, é necessário:

1) pagar os vencimentos atrasados dos trabalhadores demitidos em 2020;

2) recontratar a equipe que estava na instituição até 2020;

3) ampliar esse corpo funcional, fazendo a ocupação integral dos postos de trabalho que o acervo da Cinemateca exige;

4) ter um orçamento a altura do patrimônio que a Cinemateca abriga.

Sem a efetivação desses pontos, a abertura será superficial correndo o risco de repetir os mesmos terríveis acontecimentos de dias e anos recentes.
Como disse Paulo Emílio Sales Gomes, num trecho do filme Tem Coca-Cola no Vatapá, “Pássaro fabuloso que já renasceu das cinzas, a cinemateca vai ressuscitar de todo esse lixo, de toda essa poeira, pois o seu destino se tornou inseparável do cinema brasileiro”
Sem trabalhadores não se preservam acervos!

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Lançamento Editorial - O Manuscrito Fundador do Gabinete Português de Leitura (1863-1875)



No dia 28 de junho às 19h, o Memória e Arte vai apresentar sua mais nova publicação: a história do Gabinete Português de Leitura da Bahia contada através da recuperação e transcrição do livro ata fundador da instituição. É uma co-edição Brasil / Portugal, representada pelo nosso selo, Memória e Arte, e a Ponte Editora, da Ilha da Madeira.
Anotem aí e não percam. Será através de nosso canal no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=3xitU5LNNo8
Esperamos vocês para um bate-papo, Vanilda Mazzoni (Memória & Arte), Fabiano Cataldo (UFBA), Alícia Duhá Lose (UFBA) e Isabel Lousada (Universidade de Lisboa).
O livro está disponível para download gratuito em: